A Bailarina

A bailarina feita
de borracha e pássaro
danã no pavimento
anterior do sonho.

A três horas do sono,
mais além dos sonhos,
nas secretas câmaras
que a morte revela.

Entre monstros feitos
a tinta de escrever,
a bailarina feita
de borracha e pássaro,

Da diária e lenta
borracha que mastigo.
Do inseto ou pássaro
que não sei caçar.

POEMA

Deixa que no teu pensamento viajem apenas
os pensamentos que estiveram presentes
na cabeça do primeiro homem
quando ele foi ao teatro.
As estradas em long-shot  todas
se reuniram numa só estrada
que corria entre representações ideais
e que ele descobriu estarem presentes
na retina do primeiro homem
quando ele foi ao teatro.

                                                                                    João Cabral de Melo Neto

Do livro: "Poesias completas", José Olympio Editora, 1975, 2ª ed., RJ

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