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O Deus Melancólico

Em determinado momento da minha formação, esgotado pelo pessimismo de alguns filósofos alemães e pelo próprio vazio que o racionalismo destituido de moralidade e profundidade leva, impus-me um dever,um desafio. Se existisse um Deus, eu iria descobri-lo.
Comecei a trajetória espiritual pelas ordens de iniciação; numa delas, entrei em contato com minha paz e interioridade ...Em muitos anos, não sentia tanto conforto espiritual. "Então era isso", eu que achava-me intelectualmente brilhante, era ignorante... Sequer conhecia minha alma.
Depois dessa primeira experiência em que entrei em contato, depois de muitos anos, com uma revelação de força maior, comecei interessar-me por um personagem muito famoso, o qual embora mantivesse certo respeito, não me era mais importante que um Voltaire, por exemplo. Tratava-se de Jesus Cristo.
Comecei a leitura dos evangelhos e fiz a descoberta da vida, mas era preciso, para que o homem voltasse a ser viável, transformar-se em algo mais puro do que o equivoco falante que costuma ser. E´necessário que se converta, que se corrija. Que viva para dentro de si, não para glórias externas na vaidosa e passageira vida terrestre.
Quando ele se transforma, então ele encontra o Deus.
Nessa conversão, muda-se o foco e as prioridades da vida, uma vez que o homem reconhece que há um criador com mandamentos éticos que ele deve seguir. Isso o torna mais responsável e menos vaidoso, mais caridoso e menos competitivo. Jesus tenta livrar o homem de si mesmo.
Despertar a vida interior é o objetivo da vida. Sim. Minha busca foi exitosa. Descobri, até certo ponto, um Deus. Só que ele era manso, solidário, miraculoso, celestial.
Ao ver a terra sobre a perspectiva dele, a do exílio, torno-me um fragmento melancólico desse judeu renegado por não cumprir formalidades, esse judeu a quem nós, homens, pregamos na cruz todos os dias, com meticulosa crueldade.

 Marcelino Rodriguez

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