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LENDA DA SEXTA-FEIRA SANTA
Certa vez, na Sexta-feira da Paixão, uma jovem prestes a se casar subiu a serra como centenas de pessoas estavam fazendo, cumprindo a tradição que se cultiva todos os anos. Preocupada, presentia que o seu casamento não seria feliz, algo lhe apertava o coração. Ela, então, resolveu fazer um sacrifício para que aquele mal fosse dizimado. De repente, veio a idéia de subir a serra com uma vela acesa, oferecendo-a a Deus por um casamento feliz.
A jovem então rumou-se para a Serra do Estrondo. Quando chegou ao pé da ladeira, acendeu a vela e em silêncio comepou a escalada, muitas pessoas que subiam e desciam passavam por ela sem saber o que estava acontecendo; outras, ainda, pensavam que era pagamento de alguma promessa, atitude comum naqueles dias santos.
A subida era íngreme e longa; mas ela superou o cansaço e, quando chegou lá em cima, virou-se para a planície que se formava lá em baixo e teve uma surpresa: uma nuvem branca desceu do céu e cobriu toda a encosta da serra. Por um instante as pessoas se imaginaram estar levitando sobre as mesmas, e uma paz repentina envolveu a todos. Era como se estivessem bem perto de Deus.
De repente formou-se um redemoinho, que trouxe uma ponta de nuvem para bem próximo daquela gente maravilhada e sugou o fogo da vela que estava na mão da jovem. Ela sentiu-se atraída por aquela força sobrenatural e seguiu rumo ao funiu do redemoinho, onde ouviu uma voz que saía do seio da nuvem a lhe dizer:
"Vá em paz, pois será feita a tua vontade, se casarás e serás sempre feliz, mas não guardes esta graça só para ti, digas às outras jovens que, quando quiserem ter um casamento feliz, façam como tu fizeste. Subam esta serra Sexta-Feira da Paixão com uma vela acessa e terão esta graça alcançada".
E desfez-se a nuvem. A jovem voltou-se para a multidão que de longe a olhava sem entender o que estava acontecendo. Todos ficaram admirados. Ela, por sua vez, desceu a serra em silêncio. Depois, passado o susto, prpagou o que havia acontecido, preparou o seu casamento e vive feliz, muito feliz. Hoje, muitas jovens sobem a serra com uma vela acessa na mão rogando por um casamento feliz e todas são abençoadas na sua vida conjugal.
Dourival Santiago
Do livro: Gente do Interior - Contos e crônicas, COPAT - Companhia Paraíso de Teatro, 2004, TO
Enviado por Zacarias Martins