JOSÉ NÊUMANNE
Jornalista, editorialista do Jornal da Tarde, comentarista da Rádio Jovem Pan e do SBT, poeta e escritor com diversos livros publicados, entre eles: Solos do silêncio – poesia reunida  e O silêncio do delator  (clique ao lado para ler a fortuna crítica).

Coluna de 28/04

Ninguém segura o Waldomiro?

Com Waldomiro solto e fora do governo, a coordenação política e a Polícia Federal de Lula mostram-se ineptas

É preciso que todos os brasileiros de bem venham a público agradecer ao colega Expedito Filho por ter trazido à tona, pouco mais de um ano depois, a voz do burocrata e servidor público exemplar Waldomiro Diniz, que, livre, leve e solto, como descreveu o repórter, premia todos os cidadãos honestos do País com a certeza de que o crime pode compensar. Dependendo, é claro, do criminoso e dos bons amigos que ele possa ter, proteger ou por eles ser protegido. Assim é e parece que será por muito tempo, pois, nesta sereníssima república petista.

Waldomiro Diniz, sempre é bom lembrar, foi pilhado achacando (desculpe o preclaro leitor o uso de verbo assim tão duro e escrachado, mas, à falta de outro assim tão exato, vai este mesmo) um bem-sucedido empresário do próspero setor da jogatina Carlinhos Cachoeira . Não é mesmo uma gracinha o apelido desse sujeito? Pois bem, o, digamos, apelo que aquele ex-íntimo freqüentador do mais alto comissariado republicano petista fez ao, vai lá, quase meliante, foi uma módica porcentagem de 1% à guisa de recompensa pessoal pelos serviços prestados. E mais um dinheirinho pouco (é verdade, se comparado com os lucros fáceis do interlocutor) para alguns bons brasileiros que se dispunham a sacrificar os próprios interesses pessoais para servir ao público - e, mais ainda, à causa operária. O, perdoe novamente, caro leitor, achaque foi filmado, as vozes gravadas e conferidas pelos peritos e, como se não bastasse, os protagonistas confirmaram o encontro.

Um ano e pouquinho depois, já tendo havido tempo suficiente até para o PT apagar as 25 velinhas de seu bolo de aniversário, contudo, estão todos livres, leves e soltos: o burocrata exemplar, o empresário padrão e até a solerte secretária que, por obedecer às ordens de Waldomiro, terminou incriminada no detalhado e imparcial relatório feito sob a égide do dr. Aldo Rebelo, que, apesar de não ser benquisto pelo comissário Dirceu nem pelo PT, não é besta de ficar buscando pelo em ovo, certo?

E tem mais: o dr. Diniz, desempregado, coitado (quanta injustiça, céus, um funcionário tão preparado e tão bem relacionado!), garante que apenas cumpriu os desígnios de um bom amigo chamado Armando e infelizmente falecido. E, o que é ainda pior, mesmo não tendo ouvido os maus conselhos dos que instaram para que negasse serem dele a voz gravada e a carantonha marcada, mostrando-se, portanto, um cidadão veraz e probo, ninguém quer mais lhe dar um emprego qualquer. Mesmo tendo sua função sido ocupada por um bando de néscios. "Está tudo errado na coordenação política do governo", pontificou ele, do alto de sua experiência bem-sucedida, sob a égide de José Dirceu, que, também segundo ele mesmo, não pode prestar melhores serviços à Nação e ao governo pela ação deletéria de seus desafetos na cúpula e no partido, ninguém menos que o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, e o secretário da Presidência, Luiz Dulci. Pois esse bando não deixou o baixo clero assumir o poder na Câmara na pessoa do detrator de supositórios Severino Cavalcanti e o barco da MP 232 afundar, quando havia plenas condições na sociedade, louca para pagar mais impostos, para sua aprovação? Não pense o prezado e paciente leitor que está este autor abusando da ironia. Tudo isso foi dito, e ainda com mais ênfase, pelo dr. Waldomiro Diniz, em pessoa, ao repórter Expedito Filho, que não o deixou mentir. Nem a nós!

Mais néscia que a coordenação política do governo, desde que Waldomiro saiu, só a Polícia Federal do companheiro Márcio Thomaz Bastos, que pega, prende e processa gente importante do País inteiro, mas não consegue produzir um relatório minimamente decente sobre um réu confesso de um crime gravado, filmado e divulgado - o citado dr. Waldomiro Diniz. Será que vovó tinha razão quando dizia que quem tem padrinho não morre pagão?

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